Visita ao jardim botanico plantarum

Visita ao Jardim Botânico Plantarum

Visita ao Jardim Botânico Plantarum

Introdução

Em Nova Odessa, na Região Metropolitana de Campinas (cerca de 120 km da cidade de São Paulo), está uma das instituições botânicas mais importantes do Brasil: o Jardim Botânico Plantarum.

Com mais de 6.000 espécies cultivadas em aproximadamente 90.000 m², o Plantarum é atualmente o maior jardim botânico da América Latina em número de espécies. Não se trata apenas de um parque bem cuidado, mas de uma coleção científica viva construída ao longo de décadas de pesquisa e expedições pelo Brasil.

Para quem leva plantas a sério, é um lugar de referência.

O Jardim e seu fundador

O Jardim Botânico Plantarum foi idealizado a partir de 1990 pelo engenheiro agrônomo e botânico Harri Lorenzi, fundador do Instituto Plantarum.

Ao longo de mais de 40 anos, Lorenzi percorreu praticamente todos os grandes ecossistemas brasileiros — Amazônia, Cerrado, Zona da Mata, Serra do Espinhaço e muitos outros — realizando expedições científicas voltadas ao levantamento, identificação e coleta de espécies nativas, especialmente aquelas com potencial econômico ou ameaçadas de extinção.

É autor de dezenas de livros fundamentais sobre a flora brasileira, incluindo obras sobre árvores nativas, plantas ornamentais, frutíferas, palmeiras, plantas medicinais e botânica sistemática. Grande parte da literatura popular de identificação de plantas no Brasil nas últimas décadas passa por suas publicações.

O jardim foi reconhecido oficialmente em 2011 pela Comissão Nacional de Jardins Botânicos e posteriormente qualificado como OSCIP, reforçando sua atuação em pesquisa, conservação e educação ambiental.

Caminhar pelo Plantarum é, de certa forma, caminhar por uma versão viva dos livros de Lorenzi.

A visita

Logo na entrada já se percebe o cuidado com a estrutura. O prédio principal tem um aspecto sólido, quase histórico, bem integrado ao ambiente do jardim. É um espaço institucional, mas acolhedor.

À esquerda da entrada fica o jardim de cactos e suculentas.

Não é uma área gigantesca, mas é bem organizada e vale a atenção. O interessante ali é observar essas plantas em solo e em porte maior do que estamos acostumados a ver em vasos. Muitas espécies que normalmente aparecem em tamanho pequeno ganham outra presença quando cultivadas em espaço aberto. A arquitetura real das plantas fica muito mais evidente.

O setor de palmeiras

Seguindo mais ao fundo, ainda à esquerda, está uma das áreas mais impressionantes da visita: o setor de palmeiras.

Entre os destaques está a monumental Corypha umbellifera. O porte é difícil de transmitir em fotos. É uma palmeira imponente, que obriga você a parar e olhar para cima. Além dela, há outras espécies raras distribuídas pelo espaço, mostrando a profundidade da coleção.

Para quem aprecia Arecaceae, essa parte do jardim por si só já justificaria a visita.

O lago central

No centro do jardim há um grande lago que funciona como ponto de descanso e contemplação. É um ótimo lugar para desacelerar, sentar por alguns minutos e observar o entorno.

Há vitórias-régias e outras plantas aquáticas, e ao redor do lago começam a aparecer pequenos “nichos” com espécies interessantes.

Uma delas é a palmeira-chilena (Jubaea chilensis). O exemplar ainda é relativamente jovem — e considerando o crescimento extremamente lento da espécie, levará tempo até atingir porte monumental — mas é especial vê-la cultivada no Brasil.

Outro destaque é o Imbaré (Cavanillesia arborea), espécie nativa com tronco engrossado que lembra, em certa medida, o aspecto escultural de um baobá. Plantada em contexto botânico organizado, sua forma chama ainda mais atenção.

Também observei a paineirinha (Spirotheca elegans), espécie brasileira de grande valor ornamental, além de outras plantas espinhosas que exigem aproximação cuidadosa.

[Aqui entra a pequena galeria de fotos das espécies ao redor do lago]

A área de plantas pequenas e do Cerrado

Um setor que me chamou bastante atenção foi a área dedicada a plantas de porte menor.

O espaço é muito bem organizado, com canteiros cobertos por mulch que destacam as espécies e evitam que se percam visualmente no meio da vegetação ao redor. Isso facilita a observação e valoriza plantas que, em outro contexto, poderiam passar despercebidas.

Ali havia várias espécies do Cerrado, plantas de Restinga e algumas frutíferas nativas ainda jovens. É o tipo de organização que permite estudar as espécies com calma, em vez de apenas caminhar por elas.

As áreas sombreadas e tropicais

Nas partes mais sombreadas do jardim, a vegetação assume um caráter mais denso e tropical.

Dois destaques foram o Dendrocalamus asper, o bambu-gigante, que cria um impacto vertical imediato, e um grande exemplar de Anthurium salvinii (antúrio-cobra), com folhas de presença marcante.

Essas áreas têm um clima mais imersivo, mas continuam claramente organizadas e identificadas, mantendo o padrão do jardim.

Impressões gerais

O Plantarum não é um viveiro comercial. Não é um lugar para comprar plantas, mas para ampliar repertório.

As placas de identificação são claras, as coleções são organizadas e há um propósito científico evidente por trás do paisagismo. A infraestrutura — estacionamento, recepção, loja de livros e restaurante — permite passar o dia inteiro ali com conforto.

O que mais impressiona não é uma planta específica, mas o conjunto: milhares de espécies reunidas de forma intencional como parte de uma missão de pesquisa e conservação da flora brasileira.

Para quem trabalha com plantas nativas, coleciona espécies raras ou simplesmente quer entender melhor a diversidade botânica do Brasil, a visita amplia a perspectiva.

Informações práticas

Local: Nova Odessa – SP

Área: aproximadamente 90.000 m²

Acervo: mais de 6.000 espécies

Fundador: Harri Lorenzi

Funcionamento: quarta a domingo, das 9h às 17h

Consulte o site oficial para informações atualizadas sobre ingressos.

Conclusão

O Jardim Botânico Plantarum é a materialização de décadas de trabalho de campo, pesquisa e dedicação à flora brasileira.

Une ciência, conservação e visitação pública de maneira consistente. Para quem realmente aprecia plantas — especialmente espécies nativas — é um lugar que vale a visita.

Não é um passeio apressado. É um espaço para observar, estudar e sair com um repertório maior do que quando entrou.

Viveiro do Espinhaço

Somos o Espinhaço, dedicado à preservação e cultivo de plantas raras e nativas.

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